Fábio Alves Leão

COMPANHEIRA SILENCIOSA

Nesta altura da vida, já sem ilusão,

Caminho de mãos dadas com a solidão.

Os risos se foram, as vozes calaram,

Somente memórias comigo ficaram.

 

As tardes são longas, as noites também,

E os sonhos antigos, não voltam, ninguém.

A casa é tão cheia de ausências e eco,

E o tempo, implacável, me cobra sem nexo.

 

Amores passaram como brisa no outono,

Deixando saudade, levando o que é dono.

Os passos que ouvia, já não ecoam mais,

Só a solidão me entende e traz paz.

 

Ela não cobra, não mente, não vai,

Apenas se senta e comigo ela cai

Em silêncio profundo, no velho sofá,

Onde o mundo lá fora insiste em passar.

 

Mas às vezes, confesso, quero esquecer,

Trocar sua presença por um renascer.

Um riso, um abraço, um olhar de atenção,

Algo além dela, além da prisão.

 

Ainda assim, quando tudo se cala,

É ela que chega, fiel, sem bengala.

Minha única amiga, meu último chão:

Nesta altura da vida,  só resta a solidão.