sangue em tinta

O baile de máscara

 

Mascaro minha dor,

em um sorriso sem amor,

que esconde meu rancor,

de não ser quem gostaria,

meu eu infantil se decepcionaria,

ao ver que quando cresceu,

não se tornou quem queria,

quem sempre seguiria,

com o rumo certo da própria vida,

mas foi tudo uma ilusão construída,

para mascarar quem ele viraria,

que morreu,

nas máscaras que tanto defendeu,

das identidades que tanto dependeu,

trouxe as consequências que tanto correu,

para não admitir que se perdeu,

fingir se adaptar,

deixar sua parte infantil queimar,

para poder virar

um ser incapaz de amar,

porém no ato de enterrar,

ela insiste em levantar

e inevitavelmente ela tenta retornar,

mas é na arte de cuidar

que não deixamos ela voltar,

onde tentamos não transparecer

que deixamos nossa persona crescer,

mesmo que sem querer,

afinal,

isso significa amadurecer?