Raquel Ordones

No céu da boca, a língua

 

 

Concha de um céu, com abrigo de manto,

Santo; a língua dedilha a palavra: harpa

Farpa; o som arroja, sublime encanto.

Acalanto, a boca diz; aqui e Varpa.

 

Escarpa, a voz ganha o vigor de um pranto,

Enquanto a veste leve ao vento arpa.

Sarpa e volta, o verbo deságua e pronto

Espanto, e o silêncio se quebra, e zarpa.

 

Charpa a palavra; estrela pelo escuro,

Muro da boca, abarca o som, decanto,

Desmanto; vida, poema maduro.

 

Duro; palato e língua, abraço e canto,

Enquanto o corpo: palco aberto e puro

Apuro: o idioma em pulsação: tanto.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Palavra anda gasta

tão mal dita que apavora

Na bengala escora