Cauã Reymond

O fardo

O peso do mundo

caiu em meus pés,

estou calejado pela batalha

que nunca busquei.

 

Sinto a terra

em meu peito,

caído na lama

como rio sem água.

 

A carne clama

por descanso,

rasgo as vestes

para me entregar

ao pó da terra.

 

O fardo afundou 

os ombros 

que algum dia foram meus.

 

Dizem que os justos

dormem bem,

falso consolo.

A olheira, incrustada 

como carvão.

 

Até faltam palavras 

em minha boca,

pois a vontade 

se foi com o vento.

 

O corpo me deixou

nesse chão,

serei como areia

que foi jogada ao mar.