tu me desdobras
como quem encontra
uma folha esquecida
entre as páginas de outro livro.
voltas, vez ou outra, para conferir
se ainda há tua dedicatória em mim.
depois, abrupto, fechas-me.
volto à estante.
em segredo, permito-me sonhar
com um sebo de esquina,
onde o amarelo de minhas páginas
denuncie o tempo,
e não a espera.
onde minha lombada
guarde os vincos
de tantas mãos que me abriram.
sigo aqui,
livro
em tua prateleira.
ninguém me acolhe.
ninguém me escolhe.
fico.