O meu cansaço parece ter nascido antes de mim... Não estou falando do peso dos anos, nem do tanto que já trabalhei nessa vida. Falo do quanto é exaustivo explicar coisas que todo mundo já deveria saber.
A maioria das pessoas confunde silêncio com bondade e voz mansa com educação. Enquanto os lobos vestidos de cordeiros sorriem, os verdadeiros cordeiros são julgados enquanto sangram sendo devorados.
Falo alto e rebato porque sinto o sarcasmo e reconheço os traços de um manipulador. Mas, para todo mundo que não possui sequer uma gota de sensibilidade, quem se defende é exagerado, ignorante, mal-educado, enquanto quem agride com um sorriso falso estampado no rosto, é herói (da história que ele mesmo criou e todo mundo comprou).
E aí ouço, direto, os que me conhecem falarem que sou forte e corajosa. Mal sabem eles que a tal \"coragem\" me visita raramente e nunca sabe se fica ou se vai embora. E ela acaba indo mesmo.
Tenho coleção de diplomas, além de cursos inacabados. Já tive sonhos e planos... Hoje, uma estante completamente vazia, mas com um potencial enorme para estar transbordando.
Imagine-se sozinho empurrando uma montanha com as mãos... Esse é o peso que carrego dos dias que têm se passado, um atrás do outro. Sorrio por educação. Respiro por obrigação: ainda existe em mim uma parte que se recusa a morrer e eu já entendi que, às vezes, a intensidade da chuva não condiz com o barulho da tempestade.
E eu ainda acredito no dia em que não vou mais precisar gritar para que alguém acredite que estou sangrando de verdade.
O mundo inteiro pode ir embora, mas o abandono mais doloroso é quando quem chamamos de casa fecha a porta, e a nossa dor vira exagero aos olhos dos que mais amamos.
Mas eu continuo, não porque seja fácil, muito menos porque eu seja corajosa... Eu continuo porque, em algum lugar dentro de mim, a esperança ainda vive e a chama ainda fumega.
E se o meu cansaço nasceu antes de mim, então talvez a esperança também!!