Francisco Claudio Claudio Gia

REALEZA SANTIFICADA

REALEZA SANTIFICADA

(A São Ulrico e Santa Isabel)

Autor: Claudio Gia
Macau/RN, 04 de julho de 2026

I — O BISPO GUERREIRO (São Ulrico)

Nas terras da Germânia, onde o gelo
Faz da alma um campo fértil de coragem,
Ulrico foi pastor e também guerreiro —
Não contra carne e sangue, mas a imagem
Do mal que ronda as almas, traiçoeiro.

Bispo de Augsburgo, naço de estirpe nobre,
Mas a nobreza que vestiu foi outra:
A da virtude que o pecado cobre,
A da justiça que a mentira mostra.
Não empunhou espada de metal,
Mas a da Palavra, viva e imortal.

Defendeu sua cidade das invasões
Com jejuns, orações e procissões —
Não com exércitos, mas com fé armada,
Provou que a fortaleza mais sagrada
É o coração que se entrega ao Senhor,
E na fraqueza encontra seu vigor.

II — A RAINHA DA PAZ (Santa Isabel)

Em terras de Portugal, onde o sol
É mais dourado e o mar mais profundo,
Viveu Isabel, que ao trono se assentou
Mas nunca esqueceu que neste mundo
O verdadeiro reino não se faz
Com coroas de ouro, mas de paz.

Rainha que lavava os pés dos pobres,
Que trocava o cetro pela esmola,
Que via nos mendigos os nobres
Que a eternidade um dia irá coroar.
Media conflitos com mão de mãe,
Punha a concórdia onde a guerra vem.

Seu milagre mais belo não foi pão
Que se tornou em rosas perfumadas —
Foi a alma que, em meio à contenda vã,
Manteve as esperanças renovadas.
Transformou o reino terreno em flor,
Pois reinar com Deus é reinar no amor.

III — O ENCONTRO DOS SANTOS

Dois santos em um mesmo calendário,
Dois modos de servir o mesmo Rei:
Ulrico, a fortaleza do ordinário;
Isabel, a doçura que é lei.

Um guerreiro que luta contra o medo
Com a oração por única trincheira;
Uma rainha que se fez remédio
Para toda alma que sofre e clama inteira.

Ambos souberam que o poder se dobra
Quando se curva ao poder divino;
Que a verdadeira realeza sobra
Quando se faz menor no percurso do destino.

IV — LIÇÃO PARA OS DIAS DE HOJE

Neste tempo em que o mundo se estilhaça
Em guerras vãs e em fomes que não saciam,
A memória destes santos nos ameaça
Com a verdade que muitos não ousam:

— Que ser grande é saber ser pequeno;
— Que vencer é saber perdoar;
— Que o trono mais alto e sereno
É a cruz que se aprende a carregar.

Ulrico nos ensina a resistência
De quem confia e não desiste;
Isabel nos mostra a ciência
De quem ama e sempre existe.

V — ORAÇÃO DOS SANTOS

Oh, santos que do céu nos contemplais,
Intercedei por nós que ainda andamos
Neste vale de lágrimas e ais,
Enquanto para o Reino caminhamos.

Ulrico, defendei nossa cidade
Das invasões do mal que nos rodeia;
Isabel, ensinai-nos a bondade
Que a terra em jardim do céu recreia.

E quando o dia derradeiro chegar,
E o Rei dos reis nos chamar pelo nome,
Que possamos, como vós, testemunhar
Que o amor é a lei que nunca se consome.

Amém.

\"A santidade não está em fazer coisas extraordinárias, mas em fazer extraordinariamente as coisas ordinárias.\"
— São Francisco de Sales