Poesia Abandonada

A trapezista

Lá no alto, onde o céu se abre em silêncio,
uma mulher costura o vento com as mãos.
Faz do vazio um caminho de coragem
e das alturas, um jardim de emoções.

Seu corpo desenha curvas invisíveis,
como um pássaro que aprendeu a sonhar.
Cada salto desafia o impossível,
cada voo reinventa o verbo voar.

A gravidade a chama para baixo,
mas ela responde com leveza e luz.
No fio tênue entre o medo e a esperança,
segue firme o caminho que conduz.

O público prende a própria respiração,
encantado com tamanha ousadia.
Ela transforma risco em poesia
e o silêncio em pura harmonia.

Quando enfim retorna ao chão,
leva nos olhos o brilho da altura.
Pois quem conversa com o infinito
faz da coragem sua mais bela aventura.