O poder libertador do perdao
O peso que carregas não é teu,
Mas fomos nós que o pusemos no altar,
A esperar um perdão que não nasceu,
Da boca de quem soube nos magoar.
A ferida ainda vive, está sangrenta,
O mundo foi injusto e foi cruel,
A mente chora, grita e se lamenta,
Bebendo o resto desse amargo fel.
Mas a clareza chega com o vento,
Que sopra quando decides libertar,
Não a quem te causou o sofrimento,
Mas a ti mesmo, para respirar.
“Eu perdoo”, repetes como prece,
Um mantra que esvazia o coração,
E tudo o que era turvo desvanece,
Na água pura da tua redenção.
Já não esperas que o outro se desculpe,
A cura é tua e nasce no teu peito,
Permite que o silêncio te esculpa,
Mais leve, mais pacífico e aceito.
A alma, que era cinza, faz-se clara,
O peito encontra a paz que tanto quis,
A tempestade antiga enfim para,
E o rio corre limpo e mais feliz.
Naomi M.