Naomelina

O Avesso do Chão

Bati a portas que já estavam trancadas.

Insisti em mensagens que sabias ler e apagar.

O realismo da vida bate cedo ou tarde:

quem muito se ausenta, aprende a fazer falta, e quem muito espera, cansa-se de esperar.

Foi um desperdício de tempo e de afeto, construir um teto sobre a tua areia movediça. 

Coletei desculpas que o tempo desfez,

aceitei o pouco como se fosse tudo,

mas a verdade é que, se precisa de implorar para ter atenção, o diagnóstico é claro e o esforço é mudo.

Nenhum amor sobrevive a falta de retorno, vira apenas pressa de ir embora.

Romper o ciclo traz o chão de volta,

não há heroísmo em naufragar sozinha,

há apenas a pressa de voltar a mim.