Rodrigo Melo

TENHO SAUDADES DE UM TEMPO 

Tenho saudades de um tempo

em que havia beleza

em todos os detalhes,

em que não se mediam esforços

para deixar algo bem feito

e havia precisão em tudo.

 

Toalhas de mesa eram bordadas à mão,

quadros eram delicadamente pintados,

esculturas, extraordinariamente talhadas;

roupas elegantes e sofisticadas;

equações e cálculos eram genialmente criados.

 

Um tempo em que o prazo de validade 

não importava

e tudo, tudo, tudo, por muito tempo, durava.

 

Tenho saudades de um tempo

em que se olhavam mais nos olhos,

havia mais conversas nas calçadas,

jogos de tabuleiro nos divertiam

e o tédio não era nosso inimigo;

em que se estudava com mais afinco,

se desejava formar-se em algo

e a leitura era prazerosa.