Freddie Seixas

Coleção de Paradoxos

Eu sou o homem que ri alto, mas escolhe dormir com os próprios fantasmas.
Gosto da felicidade, mas alimento tristezas como quem rega uma planta que nunca deveria florescer.
Não gosto muito de quem vejo no espelho, mas respeito cada cicatriz que me obrigou a virar esse homem.
Digo que não ligo... e minto. Porque sinto tudo. Até o que nunca foi dito. Até o último osso aprendeu a doer.
Imploro por atenção com o mesmo coração que fecha a porta para quem tenta entrar.
Já curei pessoas. Também deixei algumas sangrando. E, ironicamente, sou eu quem mais vive tentando estancar a própria ferida com as mãos vazias.
Escuto o mundo inteiro. Guardo os segredos de todos. Mas a tempestade que mora em mim nunca aprende a sair pela boca.
Brinco quando estou quebrado. Faço piada daquilo que me tira o sono. Porque, às vezes, o sorriso é só o jeito mais bonito de esconder um pedido de socorro.
Sou profundo demais para caber nas palavras, e raso o suficiente para fingir que está tudo bem.
Sou sensível na mesma intensidade em que aprendi a ser frio. Abraço... e me afasto. Amo... e me escondo.
No fim, talvez eu nunca tenha sido uma pessoa.
Fui apenas uma coleção de momentos contraditórios, tentando descobrir qual deles era o verdadeiro eu.
E o mais triste...
é que todos eram.

 

Por Freddie Seixas