Lucien Vieira

ENTRE O RÁDIO E A RAZÃO

(Lucien Vieira) 

 

Adquiri, há muito, o hábito de despertar cedinho, com as galinhas — como diziam meus avós maternos, nas terras tianguaenses da deslumbrante Ibiapaba cearense — e preparar o desjejum. Nesse ínterim, entre o café, a tapioca, o cuscuz e outros sabores matinais, costumo repensar os meus escritos — passados e contemporâneos —, degustando, pelas oiças, as vozes deleitosas do rádio.

 

Aliás, poderia até servir-me das facilidades da web, via celular, mas me aprazo mesmo — sem nenhuma sombra de dúvidas — em ouvi-las pelas as ondas sonoras de frequência e amplitude moduladas do rádio; é um ‘hobby’ que herdei de meu pai, desde jovem. Possuo, inclusive, dois radinhos de pilha, que conservo carinhosamente como relíquias. Carrego-os comigo em minhas longas viagens... 

 

Dou graças, inclusive, por conseguir fazê-lo absolutamente livre de quaisquer distinções ou culpa — até porque, sem excluir-me do universo digital, me aprazo com o analógico. Afinal, o conceito das coisas, avalio, adquire-se naturalmente com a vivência e, sobretudo, com a busca incessante pela compreensão mínima dos múltiplos segmentos do cotidiano — anversos e aversos — para os quais os citados meios, dentre outros, se apresentam como instrumentos mui influentes. 

 

Entenda-se, pois, este modelo como um valioso nutriente do equilíbrio percepcional e da razão. Esforço-me, portanto, neste sentido e noutros em adaptar-me aos fundamentos do livro O Poder do Hábito de Charles Duhigg, traduzido por Rafael Montovani, cuja proposição afirma, resumidamente, que qualquer hábito pode ser adquirido ou moldado. 

 

Devo acrescentar, no entanto, que o romantismo aqui sugerido, na prática, exige esforço sistemático, pois sua aplicação não é nada fácil. 

 

Hoje, por exemplo, acompanhei, pelo radinho, entre outros programas, uma breve oração cristã cuja mensagem, tão oportuna para este contexto quanto sugestiva para este momento contemporâneo de fluidez generalizada, referenda o ensinamento de que “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; todos os que cumprem os seus preceitos revelam bom senso…” (BÍBLIA. Salmos 111,10). 

 

Logo — com respeito aos incrédulos —, não custa rememorar que, para os que creem, antes das cientificidades e de tudo o mais estão os princípios divinos.