Tentar novamente com as mesmas mãos,
bater na mesma porta,
esperando que ela se abra diferente.
O desejo atual de uma memória passada,
a mudança de um pensamento retrógrado,
o desejo de mudança pelo tempo.
Os meus desejos se movem,
mas os seus permanecem parados,
como se o tempo passasse apenas por mim.
Sem fazer diferente,
sem mudar o que já fui,
sem corrigir o passado,
torcendo para que o tempo mude
o que está estático.
Frações passadas no presente;
a mente sente o atual,
o coração retoma o desejo.
Tentativas de criar um presente ideal,
tentativas de mudar sentimentos estáticos.
Tentar novamente sem analisar o passado
é sofrer com o que deveria ser memória.
Vivo na esperança de mudar algo
a partir do tempo,
mediante coisas que não mudaram,
pois nada foi feito.
Apenas o desejo continuou constante,
sem a possibilidade de o tempo tomar
os seus desejos a partir do nada.
Nada mudou,
além da possibilidade de tentar de novo.
Viver da esperança também é permanecer,
confundir possibilidade com destino,
chamar de recomeço aquilo que ainda é espera.
Talvez tentar de novo
seja apenas repetir a dor.
Talvez o tempo não mude sentimentos,
apenas revele
os que nunca mudaram.