meu corpo está cheio
de ausência
uma antimatéria
alojada em mim
a solidão se infiltra
escava-me o cérebro
e me lobotomiza
sem abrir-me o crânio
aninha-se atrás
de meus olhos escuros
e corrói minha retina
minhas vísceras desaprenderam
a distinguir a fome do afeto
devoram a si mesmas
devoram o que restou de mim
ninguém me toca de verdade
toda pele sobre a minha é bisturi
esfacela-me,
confundem contato com laceração