Noah Ferreira

ausĂȘncia

meu corpo está cheio 

de ausência

uma antimatéria 

alojada em mim

 

a solidão se infiltra

escava-me o cérebro

e me lobotomiza

sem abrir-me o crânio

 

aninha-se atrás 

de meus olhos escuros

e corrói minha retina

 

minhas vísceras desaprenderam

a distinguir a fome do afeto 

devoram a si mesmas

devoram o que restou de mim

 

ninguém me toca de verdade

toda pele sobre a minha é bisturi

esfacela-me,

confundem contato com laceração