No coração da Itália ela nasceu, Mármore branco que desafia o chão, Mas o solo frágil não a susteve, E ela inclinou-se em mudez e solidão.
A Torre de Pisa, obra de arte e engano, Que ao mundo inteiro veio encantar, Parece tombar a cada ano, Mas teima em pé, sem nunca deitar.
Não foi o vento, nem a tempestade, Que a fez curvar-se em eterna prece, Foi a argila e a fragilidade, De um chão que sob o peso cede.
Os séculos passam, os impérios vão, E ela assiste a tudo de viés, Rindo do prumo e da perfeição, Com a cabeça nas nuvens e o segredo nos pés.
Turistas do mundo estendem os braços, Em fotos que tentam a queda travar, Mas o charme eterno de seus traços É justamente o risco de um dia tombar.
Bela imperfeição que o tempo batiza, Monumento à falha que virou esplendor, Assim permanece a Torre de Pisa: Um erro perfeito, esculpido com amor.