Sou a órbita
que desaprendeu o retorno,
o último verso
antes do contorno.
E se perguntarem
qual foi o instante
em que deixei de ser metade,
direi apenas:
há luas
que não crescem.
Elas lembram
que sempre foram cheias,
enquanto o mundo
via somente a parte escondida.
Desde então,
carrego o infinito
como quem leva um segredo.
Quem me olha,
vê silêncio.
Quem me lê,
ouve o universo
respirando por dentro.