Jonas Teixeira Nery

Ecos da ausĂȘncia

Na névoa densa deste triste agora,
revisito o calor de nossas horas,
onde o tempo, em seu rumo desmedido,
deixou-me perdido em meus rastros.

Onde andam os teus beijos de outrora,
esse abraço frouxo que hoje chora?
Foram muitas noites de imprudências...
Hoje, trago desejos entre ausências.

Com lágrimas em estradas desertas,
com aquelas janelas ainda abertas
e, na penumbra fria do meu leito,
um eco vago aperta meu peito.

Tenho pálidas sombras nesse vazio,
afogando no peito este arrepio,
rendido a ilusões, nessa quimera, 
quisera refazer-me nessa primavera...