Quem disse que somos iguais?
Que a pele é só superfície,
que séculos não deixam marcas
gravadas na carne e no olhar?
Quem disse que pensar diferente
é ameaça?
Que amar diferente
é ideologia inventada
para ser caçada?
Quem disse que dor se mede
em padrões de fábrica?
Que silêncio imposto
é paz, e não sufoco?
Quem inventou o “perfeito”?
Essa máscara de vidro
que reflete apenas um rosto
e chama diversidade de desvio?
Quem disse que ser humano
é ser cópia?
Que a diferença é falha,
quando na verdade é chama?
Eu não sou padrão.
Eu não sou vitrine.
Sou voz que rasga o molde,
sou corpo que insiste em existir.
Sou fissura na parede branca,
sou grito contra a ordem muda,
sou raiz que cresce torta
porque reta é só a mentira.
E se chamam isso de sociedade,
eu me pergunto:
sociedade?
By Lunix.L