Francisco Claudio Claudio Gia

Sinfonia de Raízes e Fluxos

Sinfonia de Raízes e Fluxos

Claudio Gia, Macau, RN, 30 de junho de 2026

No solstício de junho, onde o vermelho se extingue em doação,
O boi renasce em couro e verso, tambor que pulsa na memória ancestral.

Bumba Meu Boi, mito vivo do Nordeste,
Carrega nos chifres a síntese do povo:
Luta, morte e ressurreição,
Um teatro cósmico onde o homem e a terra se fundem em dança circular.

Guardião do agro, fiscal de fronteiras invisíveis,
Vigia o sangue da nação que brota da gleba e do gado.
Não é mera lei, mas ética do cuidado:
Proteger o grão, o leite, a raiz que alimenta o corpo coletivo.

Na vigilância austera, revela-se o humanismo prático —
A ordem que permite o caos criativo da vida rural.

Eis as redes, teias de luz tecidas no éter,
Dia das conexões que amplificam o grito e o sussurro.

Nelas, o boi digital dança com o fiscal distante,
O sangue doado viaja em pixels de solidariedade.

Mas que o virtual não desvirtue:
Que a inteligência da rede sirva à inteligência do coração,
Conectando o local ao universal sem perder a essência.

Junho Vermelho finda, mas o fluxo persiste —
Sangue, seiva, informação, ritmo.
No Boi, na Terra guardada, na Rede que pulsa,
O homem se reconhece: frágil, criador, interligado.

Que cada gota doada, cada verso dançado, cada inspeção honesta,
Seja o verso maior de uma pátria que se reinventa.