Gino, Sinvaldo de Souza

Matrizes da Teopoética

Matrizes da Teopoética

 

Teopoética nasce onde a palavra encontra o altar,  

mistura verso e oração no mesmo prato.  

Não separa o que é reza do que é poema,  

porque Deus também escuta o que é falado torto.

 

A primeira matriz é o barro:  

Adão foi poesia soprada no chão.  

Todo texto sagrado começa na terra  

antes de virar céu na boca da criação.

 

A segunda é o fogo:  

sarça que arde e não se apaga.  

Metáfora que queima sem consumir,  

e deixa a língua dos homens marcada.

 

A terceira é a água:  

dilúvio, batismo, lágrima solta.  

Palavra que lava, que afoga, que salva,  

e faz do silêncio uma coisa revolta.

 

A quarta é o corpo:  

pão partido, vinho, carne em rito.  

Poesia que vira alimento  

quando o mistério precisa ser dito.

 

Teopoética é isso: costurar o visível com o invisível,  

usar linha de versos pra bordar o infinito.  

Porque onde a teologia explica,  

a poesia deixa o sagrado bonito.