Matrizes da Teopoética
Teopoética nasce onde a palavra encontra o altar,
mistura verso e oração no mesmo prato.
Não separa o que é reza do que é poema,
porque Deus também escuta o que é falado torto.
A primeira matriz é o barro:
Adão foi poesia soprada no chão.
Todo texto sagrado começa na terra
antes de virar céu na boca da criação.
A segunda é o fogo:
sarça que arde e não se apaga.
Metáfora que queima sem consumir,
e deixa a língua dos homens marcada.
A terceira é a água:
dilúvio, batismo, lágrima solta.
Palavra que lava, que afoga, que salva,
e faz do silêncio uma coisa revolta.
A quarta é o corpo:
pão partido, vinho, carne em rito.
Poesia que vira alimento
quando o mistério precisa ser dito.
Teopoética é isso: costurar o visível com o invisível,
usar linha de versos pra bordar o infinito.
Porque onde a teologia explica,
a poesia deixa o sagrado bonito.