Viajo nos meus pensamentos e visito memórias que antes me faziam feliz.
Faço uma pausa para almoçar numa parada — que é justamente a casa da minha avó, lugar onde eu sempre adorei estar.
Digo-lhe que preciso ir, pois o trem já está partindo; ela pede para eu não deixá-la sozinha.
Com o coração despedaçado, saio e a deixo chorando no quarto. Quem diria que um simples almoço me deixasse tão para baixo…
Chego à parada seguinte e percebo: estou exatamente onde vi pela primeira vez a minha amada.
É a minha primeira escola — onde tive meus primeiros contatos e amizades. Que lugar incrível! Ali eu podia ser quem era, sem medo nenhum, rodeado de gente sem maldade.
Depois, noto que o trem já se aproxima da última parada: onde tudo parece chegar ao fim, onde caio na real e entendo que a vida não é conto de fadas.
Vejo minha vida desmoronar como uma muralha; tudo o que conheci vai-se embora como se não valesse nada.
O trem segue seu caminho e o que ficou foram só lembranças de tempos em que alguém realmente se importava comigo.
Hoje continuo pensando nessa viagem: nas paradas, nas pessoas que conheci e nas que deixei para trás.
Se pudesse, compraria uma nova passagem… mas infelizmente ele já parou de circular — e eu nunca mais o verei.