Mariana Da Cruz

Lembranças que jamais existiram

Ela olhou e sorriu, com a tristeza funda e desesperada de quem não entendia como as coisas haviam se perdido de vista.

 

Ele olhou, mas não sorriu. Seu corpo, gélido e trêmulo, era o de quem compreendia que, naquele instante, o tudo e o nada se misturavam em lembranças que jamais existiram.

 

O começo e o fim entrelaçados entre dúvidas e certezas.

 

O amor se esvaindo em indiferença, a amargura sobressaiu à tristeza.

 

A esperança e a ilusão dividindo o mesmo espaço.

 

E, no silêncio instaurado pelos pensamentos ruidosos de frases nunca ditas, a vírgula se tornou ponto final.