Endy Souza Dantas

Remissão

Quando minha mãe morreu eu perdi minha fome.

Ganhei gula de amor com necessidade de afeto.

Os deuses, até então, falavam conosco.

Por meio da ferramenta sublime: amor.

Não se dizia eu, mas após um ato indevido,

O homem procriou e nasceu do seu pecado.

Minha mãe como sempre, estava com cara de choro.

Escutou calada a missa.

Olhando para seu bordado indagou a mim:

É chic, não é? Mas também é um sofrimento,

Nascer sem vestir dessas maravilhas.

Eu fiquei meio aflita, uma certa pressa.

Sem causa.

Pergunto a ti Deus, nós ainda herdaremos os céus?

Há uma falha, meus irmãos não me entenderam.

Dezembro passou novamente.

 

Prosa poética.