João Vittor

Disritmia

Teu nome bate fora do compasso,
no meio da madrugada em que não durmo.
É febre mansa, um doce embaraço,
é paz que vem do mais profundo absurdo.

Teu toque, amor, é um desvio do destino,
meu peito perde o tempo e se derrama.
Não sigo mais meu próprio caminho,
desde que vi teus olhos virarem chama.

Disritmia… é isso que tu causas,
meu corpo se recusa à calmaria.
Te amar é tropeçar nas próprias asas,
voar sem céu, sem mapa, sem medida.

Já não me encaixo nos compassos de antes,
teu riso desafina minhas certezas.
Mas que se dane o ritmo constante,
prefiro o caos da tua natureza.

Se for loucura, é a mais linda que há —
amar alguém que bagunça meu ser,
que chega e muda o jeito de amar,
fazendo o coração reaprender.

E se um dia perguntarem o que sinto,
respondo: sinto tudo, sem pudor.
Amor assim não cabe em verso extinto.
É mais que amor…
É disritmia em flor.