Pulsam os globos, pálpitos de lua,
Sob a moldura escura e rendilhada,
Onde a penumbra os veste e os acentua,
Tornando a carne mais desejada.
Desce o cristal na fenda que flutua
Entre as duas colinas, via sagrada,
Ponta de seta que ao prazer insinua
A rota exata da boca sedenta e ousada.
Ó fartos pomos de maciez ardente,
Que a renda preta aperta e desafia,
Vertendo o sumo de uma febre antiga...
Beber teu colo, lento e sôfrego, em frente
Ao templo oculto que em ti se amplia,
É a heresia que a minha alma abriga.