Me lembro de quando o relógio marcou meia-noite, olhei para todos ao meu redor e me lembrei novamente, de quando o relógio marcou meia-noite e olhei para todos, tontura, déjà-vu.
Primeira Lua Cheia do ano, formigas, muitas formigas.
Terei de lidar com meus pesadelos, meus inimigos… e o inferno que é não te ter em lar.
Terei que me desapegar, deixar os encantos de carregar meu bebê no colo, e colocá-lo no chão para andar comigo em direção a batalha.
A batalha de me ser quem sou, de ter o gosto dos meus gostos, finalmente, o gosto dos meus gostos.
Sei que mais do que nunca vou sentir meu coração acelerar, quase infartar, mas se infartar tudo bem, eu fui feita pra morrer e nascer outra vez.
É tempo de finalmente olhar nos seus olhos e dizer que vou partir, ter que te ver chorar talvez, te ouvir se questionando com pesar aos quatro cantos.
E eu sem conseguir te responder que sua ausência de colo me pós ao meu próprio colo, que eu sendo do tamanho que sou, não consigo mais me carregar.
Me criei de tantas em tantos
No entanto ainda procuro um recanto
Passei anos no pranto sem saber que canto
Descanso a cabeça no travesseiro e penso:
De onde vim que veio o amor, mas aqui ainda estou e não tem mais o mesmo encanto.
Mas então quando saio, quero morar em todas as casas, quero passar por todas as ruas e bares, quero viver todas as vidas que minha alma grita por vontade.
Se quer saber as metas pra essa nova era, serão mais ou menos essas, já que não gosto de dizer das coisas quadradas que iram apenas te orgulhar, prefiro as coisas redondas que vão me fazer respirar.