Gino, Sinvaldo de Souza

Não quero só dizer amém.

Não quero só dizer amém.

Não quero só dizer amém de cabeça baixa,
concordando com tudo que o púlpito manda.
A fé que não pergunta é casa sem janela:
escura por dentro, calada por fora.

Não quero só dizer amém na hora certa,
como quem bate ponto no relógio do céu.
Quer Deus coração inteiro, não só metade,
quer briga, quer dúvida, quer o chapéu.

O amém que vale é aquele que sangra,
que nasce depois da noite no deserto.
É o sim que já mastigou o não,
e escolheu ficar mesmo com o peito aberto.

Não quero só dizer amém de costume,
repetindo palavra que perdeu o gosto.
Quer Deus amém de gente acordada,
que ora com os pés fincados no posto.

Então que o amém seja luta, seja abraço,
seja pão na mesa e prato dividido.
Porque fé sem verbo, sem carne, sem rosto,
é só eco bonito num templo vazio.