RGGouveia

Bula poética (dicloridrato de pramipexol)


Cabeça aleatória.
Fecho a porta e instala-se um sono REM em segundos. O pescoço balança. Estou em uma gangorra: um lado sobe, quem está embaixo desce. Caio em outro mundo. Me aprumo e espero. Me esperto. Registro a hora no relógio de ponto, durmo.
Acordo várias vezes em sequência, como uma luminária de luz fria quase queimando. Fecho os olhos e vejo as luzes velhas piscando. Elas se apagam por dentro ,durmo de novo. Babo um pouco; um soluço leva um susto e me sacode. Tudo muito” louco”. Tudo em quinze minutos,ou menos,ou mais um pouco. 
Fogo amigo. Efeito colateral. Levanto e vou tomar um café forte e amargo. São 14:47. Às 15:00 tenho compromisso. Mais um comprimido. Vai começar tudo de novo.
Independência ou Morte