Faz tempo em que não faço nada,
algo que de fato valha
uma jornada que deixe marca
mas sou distante e sem encaixe
um peixe fora do aquário.
ao acordar nada é diferente
permanece entre minhas mãos
liberdade em uma, chão em outra
desejar tanto e nada de ato
quando eu vou mudar de pátio?
esse desastre já é família,
lençóis rasgados,
cômodo bagunçado,
estúpido vazio
eu tornei um mundo cheio de sonhos
em ossos quebrados.
Descansei do correr
com o ceifador ao lado
e ainda sem fôlego
sem tempo ou espaço
meu abrigo se foi
em um piscar de olhos.
não existe algo além de sal no ar
recuso-me a olhar para cima,
respirar não é mais obrigação minha.
É peso demais para suportar
quando eu afundar,
ao menos encontrarei respostas
no fundo do mar?