Na manhã lenta, o nascer de um fim.
Teus olhos a evitar-me
na intenção de um castigo.
Lábios de cor realçada pelo choro,
teu silêncio retumba em minha mente,
e minha razão teima no que acreditar.
Distancio-me do encalço da culpa,
pois sim, pequei por querer dizer a verdade.
E o velho medo gargalha
em um canto qualquer,
medo antigo,
mas que se renova
quando emerge o mesmo assunto...
Amo-te como jamais amei,
mas deitar-se à beira do abismo
é menos arriscado do que casar.
Pois te quero assim, bela e livre,
sem qualquer influência
do que os outros podem cobiçar.
Quero-te sempre minha namorada,
e este, por si só,
já é um rótulo que nem precisamos chamar.
Tu és minha dama lírica,
aquela que amo sem precisar anunciar.
Aquela que ando lado a lado,
a quem apenas por ser,
já é tudo mais do que se possa classificar.
— Guacimar V. Mello Noos