(Lucien Vieira)
Conservo o hábito de observar, nas pessoas — sem nenhum preconceito ou pretensão —, os personagens que as compõem — e aqui me incluo.
Neste contexto, tomo o dia a dia como um grande palco, onde nós, os atores, exibimos nossos papéis, os quais, sob o jugo das convenções sociais e conforme se ajustem às prescrições do ambiente ao qual pertencemos, sofrerão aprovações ou reprovações.
Ou seja, somos todos atores de nossas próprias peças, que, aliás, se retroalimentam entre si e caminham ininterruptamente sob a influência do espaço e do tempo em que se desenvolvem, revelando-se, por vezes, apropriadas e, por vezes equívocas.
Conforme o espaço e o tempo, portanto, distintas dramaturgias reais acontecem.
Isto é, em quaisquer lugares, por exemplo, calúnias, autoritarismos, amabilidades e uma infinidade de outros eventos são papéis interpretados que, embora imperceptíveis, incidem a todo momento e que, à medida que ocorrem, geram novos papéis destinados a nós mesmos e aos outros. Daí derivar, talvez, o conceito psicológico de “repertório comportamental!”
Quero dizer, em suma, que os acontecimentos não são obras do destino. Aprendamos, pois, a ler o que não está escrito!