Antropologia da Religião
A ciência senta no chão de terra batida,
abre o caderno e observa calada.
Vê a vela acesa no canto da sala,
o milho que é ofertado na encruzilhada.
Não julga o joelho que dobra no barro,
nem pergunta se o santo escuta.
Só anota a mão que benze a criança,
o pão que se parte e a dor que se junta.
Antropologia é olho que não mede,
só recolhe gesto, canto e sina.
Descobre que todo povo inventa ponte
pra atravessar o medo da noite fina.
A religião não mora no livro grosso,
mora no terço gasto, na fita, no fogo.
É gente tentando nomear o invisível
e dividir o peso de estar só.
No fim, a ciência descobre o simples:
que rezar é o modo que o humano encontrou
de transformar saudade em encontro,
e chamar de sagrado o que o amor guardou.