Gino, Sinvaldo de Souza

Antropologia da Religião

Antropologia da Religião

A ciência senta no chão de terra batida,  
abre o caderno e observa calada.  
Vê a vela acesa no canto da sala,  
o milho que é ofertado na encruzilhada.

Não julga o joelho que dobra no barro,  
nem pergunta se o santo escuta.  
Só anota a mão que benze a criança,  
o pão que se parte e a dor que se junta.

Antropologia é olho que não mede,  
só recolhe gesto, canto e sina.  
Descobre que todo povo inventa ponte  
pra atravessar o medo da noite fina.

A religião não mora no livro grosso,  
mora no terço gasto, na fita, no fogo.  
É gente tentando nomear o invisível  
e dividir o peso de estar só.

No fim, a ciência descobre o simples:  
que rezar é o modo que o humano encontrou  
de transformar saudade em encontro,  
e chamar de sagrado o que o amor guardou.