(Lucien Vieira)
“Eu estou achando uma merda!” Esta foi a resposta do saudoso Raul Santos Seixas quando questionado, em 1988, acerca da política no Brasil.
Pois bem! Eu diria que o nosso querido Raul, neste sentido, cometeu um equívoco.
A política em si é certamente um instrumento absolutamente necessário. No entanto, lamentavelmente algumas de suas variáveis resultam em impactos profundamente lesivos à população, sobretudo daqueles que compõem a base social do Estado brasileiro, bem como de quaisquer outros.
Entre essas variáveis, a mais violenta em seu contexto geral, a mais danosa nos mais diversos aspectos, sem nenhuma dúvida chama-se politicagem. Esta sim é um verdadeiro mar de fezes. Aliás, trata-se de um mal frequente na atualidade que envolve, sem distinção, parcela significativa da classe política e autoridades. Tem se tornado tão rotineiro que, pelas características, já nem é mais disfarçado.
Entendamos, portanto, que tanto faz ser uma defecada de um safado de esquerda, de direita, de centro ou de qualquer outra ideologia — todas, sem exceção, se forem originadas dessa praga que corrói a nossa dignidade, a politicagem, serão fétidas do mesmo jeito.
Logo, se continuarmos a outorgar a essa laia a nossa representação — que se engalfinha constantemente pelo poder, praticando politicagem — essa imundície, mais dia menos dia, vai emporcalhar qualquer um de nós, independentemente da posição que ocupemos e de onde estejamos.