Eulinda Brícia

Até que a morte nos separe

Paixão é avassaladora, não é tão forte quanto parece;

é cega e egoísta, tropeça nos próprios erros e não vê.

Dura no máximo três anos.


Daí em diante, o amor começa a engatinhar.

Brigas e discordâncias são mais frequentes.

Os erros estão às claras.


As personalidades de ambos se chocam constantemente.


O que fazer?


Sentar e conversar, perdoar, ceder, passar a vez, abrir mão da razão,

deixar o amor dar os primeiros passos.

É doloroso, mas ele vai dar pisadas firmes no futuro.

 

Alguém se esconde para chorar, tem medo de mostrar suas fraquezas.

Outro omite assuntos relevantes; o casal entra em crise nas descobertas infortunas.

Um pensa em divórcio, mas tem medo do resultado.

O outro se sente esgotado e sem forças para continuar.

Qual a solução?

Até que a morte nos separe!

Um dos dois tem que morrer para o outro ficar livre.

Mas quem vai querer morrer? 

 

Ah! Tem o divórcio.


Mas por que se divorciariam?

Porque um gosta de música alta e o outro de música baixa?

Porque um suja todas as roupas e não as coloca na máquina de lavar?

Porque um quer ir para um lugar e levar seu amor, e o outro não quer ir?

Por causa da diferença de idade?

Por não serem compatíveis na cama?

Ou será traição?

Mentiras?

Segredos?

Falta de confiança?

Interferência da família?

O amor não pode vencer tudo isso?


Os votos diante do sacerdote e das testemunhas não valeram?

“Prometo amar, respeitar, confiar e perdoar você.

Caminhar ao seu lado na alegria e na tristeza,

na riqueza e na pobreza, na felicidade e no sofrimento.

Que permaneçamos unidos com humildade e companheirismo

até o fim dos nossos dias.”


Será que o amor, que agora anda sobre seus próprios pés,

não é tão forte que possa segurá-los aqui

até que a morte venha separá-los?


O divórcio seria uma opção na traição e

quando um dos dois não deseja continuar.