Mãos limpas,
criança morta no peito.
Fiz o certo.
O certo cuspiu na minha cara.
Deus, se existe lista,
meu nome virou risco de giz.
Condenado sem crime,
no escuro.
A derrota me usa de colchão
toda noite.
Dói sem culpa.
Dói por esporte.
Sentado na beira do nada,
eu apodreço.
Talvez a manhã venha.
De quem já não acredita nela.
— Pedro Henrique