Fábio Alves Leão

ENQUANTO O VENTO BALANÇA

Enquanto o vento balança as folhas das palmeiras,

Suas danças suaves trazem as memórias primeiras,

A saudade invade e rasga o meu coração,

Aperta a alma como a melodia de uma canção.

 

O tempo, cruel, tão ligeiro e fugaz,

Leva consigo o que outrora me traz

A força de andar por caminhos incertos,

Agora parecem apenas lugares desérticos.

 

As palmeiras sussurram segredos ao vento,

As lembranças guardadas de cada momento.

O riso que um dia brotava em meu rosto,

Agora se perde em algo já sem gosto.

 

Oh, tempo que leva, devolva-me um pouco!

O que me arrancaste deixando-me em puro sufoco.

Inspiração, retorna, minha guia perdida,

Ou deixa-me apenas curar esta ferida.

 

E enquanto o vento balança, continuo a esperar,

Que o tempo, ao passar, aprenda a perdoar.

Talvez nas palmeiras, entre folhas e brisa,

Encontre o renascer, num sopro, a minha vida.