Enquanto o vento balança as folhas das palmeiras,
Suas danças suaves trazem as memórias primeiras,
A saudade invade e rasga o meu coração,
Aperta a alma como a melodia de uma canção.
O tempo, cruel, tão ligeiro e fugaz,
Leva consigo o que outrora me traz
A força de andar por caminhos incertos,
Agora parecem apenas lugares desérticos.
As palmeiras sussurram segredos ao vento,
As lembranças guardadas de cada momento.
O riso que um dia brotava em meu rosto,
Agora se perde em algo já sem gosto.
Oh, tempo que leva, devolva-me um pouco!
O que me arrancaste deixando-me em puro sufoco.
Inspiração, retorna, minha guia perdida,
Ou deixa-me apenas curar esta ferida.
E enquanto o vento balança, continuo a esperar,
Que o tempo, ao passar, aprenda a perdoar.
Talvez nas palmeiras, entre folhas e brisa,
Encontre o renascer, num sopro, a minha vida.