Gino, Sinvaldo de Souza

Ritos e Mitos

Ritos e Mitos

De noite a avó contava histórias  
de bicho que vira gente na lua cheia.  
Não era mentira, era jeito de guardar  
o medo e a coragem na mesma aldeia.

Ritual é isso: acender o fogo,  
partir o pão, chamar pelo nome.  
Cada gesto repete o que os antigos fizeram,  
pra não deixar o tempo comer o que some.

Mito não vive no livro empoeirado,  
vive na boca, no olhar, no caminho.  
Enquanto a gente conta e repete,  
o mundo não fica sozinho.

Rito segura a mão.  
Mito dá pé na estrada.  
Um guarda a chama.  
O outro mostra a alvorada.