Moon Dark

ESSE É O ÚLTIMO POEMA QUE ESCREVO SOBRE VOCÊ !

Eu te perdi duas vezes.

A primeira,
quando descobri que existia outra mulher
guardando os mesmos “eu te amo”
que você guardava para mim.

A segunda,
quando ouvi teu “desculpa, é isso”
cair frio sobre quase cinco anos
como quem fecha uma janela
porque começou a chover.

E eu estava tão longe…

No aeroporto,
carregando na mochila
o melhor dia da minha vida,
o show da banda que me ensinou
que despedidas podem ser bonitas.

Mas ninguém me ensinou
a despedir-me de uma mentira.

Enquanto eu sorria em outra cidade,
você deixava cair,
sem cerimônia,
o último fio de esperança
que eu segurava com as duas mãos.

Nove anos.

Quase cinco anos.

E, de repente,
duas mulheres olhando para o mesmo homem
e descobrindo que amavam um desconhecido.

Eu quis te perguntar por quê.

Quis arrancar uma explicação
que fizesse caber no peito
todas as noites,
todos os poemas,
todas as vezes que esperei.

Mas você era poucas palavras.

E eu…
eu era um universo inteiro.

Você disse:

“Já ocorreu tudo mesmo.
Desculpa.
É isso.”

É isso.

Três palavras que fizeram ruir
todos os castelos que construí sozinha.

Porque agora eu preciso aceitar
que o homem que eu amava
talvez nunca tenha existido.

Mas o amor…

Ah, o amor existiu.

Existiu em mim.

Nas mensagens que reli.
Nas estrelas às quais contei teu nome.
Nos poemas escondidos.
Nas esperas infinitas.

Você mentiu sobre si.

Eu nunca menti sobre amar.

E hoje,
entre a negação e a saudade,
eu recolho do chão
os incontáveis pedaços do meu coração

e percebo algo terrível,
mas também libertador:

eu não estou chorando
porque perdi você.

Estou chorando
porque finalmente perdi
a esperança de que um dia
você fosse quem eu imaginei.

E talvez…

Talvez esse seja o primeiro poema

que eu não escrevo para você.

Mas para a mulher que ficou.

E que,
mesmo em ruínas,

ainda sabe amar.

E isso,
Jjr,

você nunca mereceu.