Gino, Sinvaldo de Souza

O Sagrado e o Profano

O Sagrado e o Profano

O sagrado mora no silêncio que corta a sala,  
na vela queima sem pedir plateia.  
É o pão repartido com mão trêmula,  
o nome sussurrado que cura a febre.

O profano ri alto na esquina da vida,  
dança sem pedir licença, bebe da taça torta.  
É o corpo que deseja sem pedir desculpa,  
a palavra crua que rasga a máscara morta.

Mas talvez não sejam dois mundos distantes.  
Talvez o sagrado se esconda no profano,  
quando o riso vira oração sem altar,  
e o desejo vira sede de algo humano.

No fim, tudo depende de como olhas:  
se vês cinza, fica cinza.  
Se vês fogo, tudo arde —  
e até o pó vira reza.