o céu não é o agora
é a luz tardia de tudo aquilo
que um dia foi,
de todo o brilho
que um dia fomos
à ausência não há direito de ser absoluta
estrelas já mortas,
arrancadas há tempos incontáveis,
a milhares de anos-luz,
continuam atravessando o espaço
teu desaparecimento, Estrela, foste apenas um atraso
outras estrelas,
tão belas e pequenas,
nascem
na mesma escuridão que engoliu as anteriores
todos ocupam esta grande galáxia de mim
camadas sucessivas de corpos celestes
colidindo sem se tocar,
cada uma acreditando ser a primeira a acender
mais uma constelação se forma
e o universo continua