Já me acostumei com tua fisionomia
Teus risos, impasses, minha fantasia
Não quero desprender-me de ti assim
Mas temo que o futuro seja ruim
Sem crer que de nós só restará a lembrança
Aos poucos esvai-me a confiança
O futuro sussurra por gestos triviais
Eis a crônica de verdades artificiais
Não sei com que base anda esse mistério
Ou se ao menos habita em mim o critério
De ter contigo tamanha aflição
Leio o futuro na sua distração
No seu jeito de desviar o olhar
Ergo décadas a desmoronar
Enquanto vives o instante comigo
Eu já pressinto o adeus antigo