Nas dobras do tempo, onde o céu não tem fim, Pousou uma anja de asas de cetim. Deixou a alvura do eterno momento Para espiar o compasso do vento.
Em suas mãos brancas, um velho objeto: Um relógio de bolso, antigo e secreto. De ouro envelhecido, gravado no metal, O tique-taque marcava o portal...Do mundo dos homens, que corre e que passa, Enquanto a anja assiste, coberta de graça.
Ela tocava o vidro com leve espanto, Ouvindo as engrenagens cantando seu canto. Para quem vive onde o tempo é ilusão, Os segundos pareciam uma pulsação.
Cada badalada, um suspiro mortal, Um grão de areia no fluxo vital. A anja sorriu para a marcha do ponteiro, Achando belo o que é passageiro.
Guardou a joia junto ao peito, aquecida, E abençoou cada minuto da vida.