Maximiliano Skol

EU VIVI

Formiguinhas, aqui, correm frementes,

Do azul do céu o sol me queima o rosto,

E nuvens tão distantes e dormentes,

Pesadas, vêm com chuvas ao meu gosto.

 

Essa física quântica, entrementes,

Diz ter a solução do pressuposto:

Teletransportam sonhos e sementes,

Além de uma internet– sem desgosto.

 

Tudo isso então me vem: sinto o progresso...

Mas um sentido traz-me a consciência

De que cheguei ao fim e sem regresso, 

 

De nada eu  sei de Deus e sua essência;

Mas uma coisa eu sei e não tropeço:

–É que bem eu vivi minha existência.