Vinda qual chuva de verão,
Súbita, em perfumes desenhada,
Invadiu a tarde e minha solidão,
deixando-me nu e enamorado.
Da janela via a sua graça,
Desafiando a quietude da rua,
com um sorriso que me abraça,
Sob a luz da tarde que flutua.
Chegou de mansinho ao meu ouvido,
Com um sopro quente de mormaço.
Contido, permaneci entre brumas
esperando o seu terno abraço.
Boca febrenta, pele a tremer,
Êxtase puro, arfante e profundo,
Não houve tempo para conter
O ardor que nos tirou do mundo.
Entre sussurros, desejos e sombras,
o calor inundava o ambiente,
E o amor rompeu todas as normas,
no segredo desse dia ardente.