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Cicatrizes.

no meu peito fazem morada
‎as dores que você deixou.
‎na minha pele,
‎as marcas daquilo que me tomou,
‎e tudo o que restou de mim.
‎
‎na minha garganta,
‎os gritos morreram
‎antes de encontrarem socorro.
‎
‎silenciada.
‎mutilada.
‎abandonada.
‎quase morta.
‎mas nunca sozinha.
‎
‎sou todas elas.
‎sou todas vocês que sobreviveram.
‎
‎carrego em mim
‎cada voz que tentaram calar,
‎cada corpo que tentaram quebrar,
‎cada história que tentaram apagar.
‎
‎e juntas seguimos,
‎na mesma luta,
‎erguidas pelo mesmo grito,
‎
‎um grito que atravessa o tempo,
‎vive em cada uma de nós
‎e permanecerá para sempre em mim.
‎