Dizem que a saudade vem de tempos distantes,
De quando Deus passeava, toda tarde, entre a criação;
Quando a terra, ainda jovem, adormecia tranquila
Ao doce compasso de Sua voz e Sua mão.
Desde então, trazemos no peito um exílio secreto,
Uma nostalgia sem nome e sem lugar;
Como quem procura, entre sombras e caminhos,
Algo que perdeu sem jamais recordar.
E é por isso que o pôr do sol nos comove,
E que a música às vezes nos faz chorar:
A alma escuta, por um breve instante,
Os ecos da tarde em que Deus vinha passear.