há algo faminto crescendo
atrás das minhas costelas
um amontoado de envergaduras
e espinhos
e larvas
borbulhando em meu estômago
o veneno que me percorre as veias
aquece as bochechas
transforma em dúvida toda certeza
mas tu te agarras
às paredes da minha carne
como musgo, alastrando-te,
em silêncio
cada tentativa de expulsar-te
apenas faz com que
te enraízes mais
e mais
adentro
tremo dos pés à cabeça,
em calafrios febris,
enquanto meu corpo tenta
eliminar-te, com pressa,
de dentro de mim