Mais uma semana passou.
E eu sobrevivi a ela como sobrevivo a tantas outras:
cumprindo horários, resolvendo problemas, carregando responsabilidades e fingindo que está tudo bem.
Mas existe um tipo de cansaço que o sono não cura.
É o cansaço de não ter onde repousar o coração.
De passar o dia inteiro guardando histórias e não ter para quem contá-las quando a noite chega.
De olhar para o celular e perceber que ninguém está esperando saber como você está.
De viver tantas coisas e sentir que tudo ecoa dentro de você sem encontrar abrigo em ninguém.
A solidão não mora na ausência de pessoas.
Ela mora nos espaços vazios que ficam quando você gostaria de compartilhar a vida com alguém.
Porque a vida acontece nos detalhes.
No trânsito que te irritou.
Na conquista que te fez sorrir.
Na preocupação que você escondeu de todo mundo.
Na piada que ouviu e guardou porque não tinha para quem mandar.
E os dias vão se acumulando dentro do peito.
Às vezes eu só queria chegar em casa e encontrar alguém.
Não alguém perfeito.
Não alguém extraordinário.
Só alguém.
Alguém que me abraçasse por alguns minutos e, por um instante, fizesse o mundo parecer menos pesado.
Alguém que ouvisse sobre o meu dia sem olhar para o relógio.
Alguém que segurasse minha mão quando eu estivesse cansada de ser forte.
Alguém que percebesse que, por trás dos sorrisos, existe uma mulher exausta de carregar tudo sozinha.
Porque eu estou cansada.
Cansada de ser quem cuida.
Quem procura.
Quem demonstra.
Quem se entrega.
Cansada de amar com os braços abertos e receber silêncio de volta.
Às vezes penso em quantas versões de mim já ofereci ao mundo.
Quantas noites dediquei.
Quantas orações fiz.
Quantos presentes escolhi com carinho.
Quantas vezes estive presente.
E, ainda assim, em tantas noites, me encontro exatamente aqui:
sozinha.
Com os pés cansados, o coração cansado e a alma cansada.
Desejando apenas que alguém estivesse ao meu lado.
Fazendo um carinho nos meus cabelos.
Massageando meus pés depois de uma semana longa.
Me ouvindo falar sobre coisas sem importância.
Porque quando existe amor, até as coisas sem importância se tornam importantes.
Talvez seja isso que mais dói.
Não a falta de alguém para amar.
Mas a falta de alguém que queira permanecer.
Alguém que não transforme afeto em dúvida.
Que não faça presença virar ausência de repente.
Que não apareça quando sente vontade e desapareça quando as coisas começam a criar raízes.
Hoje, enquanto mais uma semana termina, percebo que não sinto falta de um relacionamento.
Sinto falta de pertencimento.
Da sensação de finalmente chegar em casa no coração de alguém.
Porque existem noites em que o abraço que falta não é
no corpo.
É na alma.
E é justamente esse abraço que eu ainda não encontrei. ?