Ashira Saiko

Memórias são como fantasmas

Uma batalha intensa para despertar
Dos muros espinhosos desvencilhar
Memórias como um demônio assombrar
O presente como uma massa de modelar

Com as lentes do passado a vida observar
O sofrimento profundo evitar
Memórias são como fantasmas no ouvido a assoprar
O que não queres lembrar

A solidão por entre a escuridão do hesitar
As memórias desvencilham do olhar
Para despercebida passar
E para o âmago de uma fortaleza te arrastar

Se submetes a mendigar
A miséria que consegues alcançar
Através de uma portinhola se esgueirar
Sem que os muros de aço possam te esmagar

Quando tentas gritar
Ouvidos não podem te escutar
Olhos não podem te enxergar
Mãos não podem te segurar

Seu próprio cérebro tenta te salvar
Mas um réu da própria dor tende a te transformar.
Sua própria mente a te condenar 
A uma prisão interna e domiciliar.